Peso cubado, distância e embalagem decidem o valor antes de você. As três políticas de frete que funcionam e quando frete grátis se paga sozinho.
Sailo team12 min de leitura
Você vendeu uma peça de R$ 68 pra alguém em Manaus, cobrou R$ 25 de frete porque era o que dava pra São Paulo, e pagou R$ 61 no balcão. A venda que ia deixar R$ 30 deixou uma dívida de R$ 6.
Frete não é um número, é uma função de quatro entradas: peso real, peso cubado, distância entre CEPs e o quanto você decidiu embutir no preço. Se você cobra fixo sem saber as quatro, você está subsidiando as vendas longe com as vendas perto e não sabe em que ponto isso vira prejuízo.
A saída não é calcular tudo caso a caso, que é insustentável. É escolher uma das três políticas que funcionam, saber quanto ela custa e escrever ela na página.
Peso real é o que a balança marca com a embalagem fechada. Fácil.
Peso cubado é o espaço que a caixa ocupa. Uma almofada de 400 g num pacote de 40x30x20 cm ocupa lugar de vários quilos no caminhão, e a transportadora cobra por espaço, não por gravidade.
A conta é comprimento vezes largura vezes altura, em centímetros, dividido por um fator. O fator muda por transportadora e por serviço. Não vou colocar um número aqui porque ele estaria errado pra alguém: abra a tabela de quem você usa, procure "peso cubado" ou "cubagem" e anote o divisor daquele contrato.
O que importa saber é a regra: eles cobram pelo maior entre o peso real e o cubado. Sempre o maior.
Isso muda o que você compra de embalagem. Uma caixa dois números maior que o produto pode custar mais em frete, todo mês, para sempre, do que a economia de comprar caixa padrão. E é por isso que quem vende roupa despacha em envelope plástico e não em caixa, quando o produto aceita.
Meça a sua caixa mais vendida hoje. Se sobra mais de 3 cm de folga em qualquer lado, você está pagando por ar.
Elas se comportam de forma diferente, e a diferença não é só preço.
| Correios | Transportadora privada | |
|---|---|---|
| Cobertura | Chega em praticamente todo CEP do país | Boa no eixo Sul e Sudeste, irregular no interior e no Norte |
| Coleta | Você leva na agência, ou contrata coleta | Coleta no seu endereço costuma ser padrão |
| Prazo | Mais estável em destino distante | Costuma ganhar em rota curta e concentrada |
| Contrato | Balcão ou contrato, com regras diferentes | Quase sempre exige contrato e volume mínimo |
| Problema | Fila e horário de agência | Cobertura que você descobre que não tem |
Não pergunte qual é mais barata. Pergunte para onde você mais envia.
Se 70% dos seus pedidos vão pra sua própria cidade e pra capital vizinha, uma transportadora regional ou um serviço de motoboy vence com folga. Se você vende artesanato pra todo o Brasil e um pedido a cada quinze vai pra uma cidade de 8 mil habitantes no Piauí, você precisa dos Correios pra esses, independente do que faça com o resto.
A maioria dos vendedores que aguenta os dois usa os dois. Uma regra por região, escrita, e nada de decidir na hora.
E os preços: cheque no dia. Tabela de frete muda, reajuste acontece, e um valor decorado de três meses atrás é o jeito mais comum de perder margem sem perceber. Consulte a calculadora oficial ou o seu contrato antes de fechar uma política nova.
O comprador informa o CEP e vê o valor real. Justo, transparente, e o que menos machuca a sua margem.
O custo: uma etapa a mais no fechamento, e o momento em que o número aparece na tela é o momento em que uma parte das pessoas desiste. É especialmente cruel em pedido pequeno, quando o frete é 40% do total.
Funciona bem quando o seu ticket é alto o suficiente pro frete parecer proporcional. Acima de uns R$ 200, quase ninguém abandona por causa do frete calculado.
Você define faixas e cobra o mesmo dentro de cada uma.
Sua cidade e região ..... R$ 15 (motoboy, 24h)
Mesmo estado ............ R$ 24
Sul e Sudeste ........... R$ 32
Nordeste e Centro-Oeste . R$ 42
Norte ................... R$ 55
Simples de comunicar, simples de calcular no seu lado, e você ganha em uns e perde em outros. O risco é a variação dentro da faixa: "Nordeste" inclui capital litorânea e cidade de interior a 400 km da capital, e o custo real dessas duas não é parecido.
Como calibrar: pegue os seus últimos 30 envios, agrupe por faixa, e tire a média por faixa. Depois olhe o pior caso de cada faixa. Se o pior caso está mais de 60% acima da média, essa faixa está mal desenhada e precisa ser dividida.
O mais poderoso dos três em ticket médio, e o mais fácil de fazer errado.
O erro é escolher o número no chute. O jeito certo: pegue o seu ticket médio atual e coloque o limite de 30% a 50% acima dele. Se você vende em média R$ 95 por pedido, o frete grátis vai em R$ 140, não em R$ 100 (que quase todo mundo já atinge, então você só deu desconto) e não em R$ 300 (que quase ninguém atinge, então não muda nada).
O que você está comprando com isso é o segundo item no carrinho. E o segundo item costuma trazer margem suficiente pra pagar o frete inteiro, o que é o motivo da política existir.
Escreva o limite onde o comprador vê antes de escolher. "Faltam R$ 45 pro frete grátis" só funciona se ele soube do limite antes.
Se você vai dar frete grátis em tudo, o frete está no preço. Isso é legítimo e funciona bem em produto leve com margem alta.
A conta que precisa fechar: seu frete médio por pedido, olhando os últimos 30 envios de verdade e não a sua impressão. Se dá R$ 27, o seu preço sobe R$ 27. Não R$ 15 "porque a maioria é perto".
O risco específico: quando o frete está no preço, o cliente do seu bairro paga o frete de Manaus. Se boa parte da sua venda é local, você acabou de encarecer o seu produto pra quem tinha o custo mais baixo, e é exatamente esse cliente que compra de novo.
Meio termo que funciona: frete grátis acima de um valor, frete fixo baixo pra sua própria cidade, e frete calculado pro resto.
Um e-mail sobre preços, fotografias, entregas e receber o dinheiro. Sem publicidade e sem enchimento.
Some tudo o que vai junto: caixa ou envelope, plástico bolha ou papel, fita, etiqueta, sacolinha, cartão de agradecimento, papel de seda. Em pedido pequeno isso vai de R$ 2 a R$ 8 com facilidade.
Isso não é frete, é custo do produto, e precisa estar no preço mesmo se você cobra frete separado. Quem tem esse número na ponta da língua está em como precificar o que você faz, onde a embalagem é um dos sete custos.
E lembre do peso cubado: aquele papel de seda bonito que exige uma caixa dois números maior custa frete em todo pedido, pra sempre. Vale a pena? Às vezes vale. Só decida com o número na frente.
Em cidade grande, entrega local por motoboy costuma ser o canal mais lucrativo que existe e o menos usado.
O modelo que funciona: uma faixa de valor por região do mapa, combinada com o entregador, e uma janela fixa de entrega por dia da semana. Não entregue sob demanda, entregue em rota. Seis pedidos numa quarta à tarde na zona sul custam por entrega uma fração do que custa um pedido avulso na terça de manhã.
Junte pedidos. Diga na página que a entrega na sua região acontece em dias específicos. As pessoas aceitam prazo quando ele é previsível, e não aceitam surpresa.
Retirada também é uma opção real, principalmente pra quem tem um ponto ou trabalha perto de um comércio parceiro. Retirada com hora marcada, não "passa aqui qualquer hora".
Marcelo faz tábuas de corte em madeira maciça em Porto Alegre. Tábua média a R$ 145, tábua grande a R$ 220. Uns 25 pedidos por mês.
A caixa dele era 42x28x9 cm e o conjunto pesava 1,4 kg com embalagem. Ele cobrava R$ 28 fixo pra qualquer lugar do país porque era o valor que dava pra Curitiba, o destino mais comum.
Ele foi olhar os últimos 30 envios e achou o problema:
Aqueles 3 envios comeram o ganho dos 18. No mês, o frete dele estava dando prejuízo pequeno e constante, e ele achava que estava empatando.
O que ele fez:
Trocou pra quatro faixas. R$ 18 no Sul, R$ 26 no Sudeste, R$ 38 no Nordeste e Centro-Oeste, R$ 52 no Norte. Escreveu na página.
Reduziu a caixa. Encomendou uma de 44x26x6 cm, colada ao produto, e trocou o plástico bolha por papel kraft plissado nas bordas. Perdeu 3 cm de altura, o que puxou o cubado pra baixo em todos os envios.
Colocou frete grátis acima de R$ 300. Ticket médio dele era R$ 168. O limite em R$ 300 empurrou algumas vendas pro par de tábuas, que é onde a margem dele é melhor.
Dois meses depois: o frete deixou de ser um vazamento, e o ticket médio subiu pra R$ 194. A parte que ele não previu foi que reduzir a caixa também baixou o índice de dano, porque o produto parou de se mexer dentro dela. Ele tinha uma troca a cada dez ou onze pedidos por canto amassado. Virou uma a cada trinta e tantos. A embalagem menor pagou o próprio molde em seis semanas, e não pelo frete.
Cobrar certo e comunicar mal dá no mesmo que cobrar errado.
Prazo separado do frete. "Envio em até 2 dias úteis, entrega de 3 a 7 dias úteis depois da postagem." Duas linhas. Quem junta os dois números em um só é quem recebe "mas você disse 5 dias".
Data, não contagem. "Chega até quinta, 14/08" funciona muito melhor que "5 dias úteis", porque ninguém conta dia útil de cabeça sem errar.
O código de rastreio no mesmo dia da postagem. Não no dia seguinte. Essa mensagem sozinha elimina quase toda a ansiedade da semana seguinte.
A regra do atraso, escrita antes. O que você faz se a transportadora atrasar? Se você decidir isso na hora, você vai decidir errado, sob pressão, com um cliente bravo. Decida agora.
Sendo específico, porque frete é onde ferramenta costuma prometer demais.
O Sailo não conversa com transportadora por você e não substitui a calculadora do transportador. O valor da entrega é uma informação que aparece no pedido, e você continua responsável por saber quanto ele custa de verdade.
Uma coisa que vale saber se o botão de cartão estiver disponível pra você: a comissão de 1–3% do Sailo incide sobre os produtos, depois do desconto, e não incide sobre a entrega nem sobre imposto. Ou seja, cobrar frete separado não aumenta a comissão.
Só que esse botão tem um limite: ele funciona sobre o Stripe, que atende o Brasil, verifiquei em stripe.com/global em agosto de 2026, mas exige o plano Business por US$ 49 por mês e uma conta aprovada para cobranças. Se você ainda não tem isso de pé, e a maior parte de quem recebe por Pix não tem, produto e frete não vão ser cobrados juntos numa transação única com cartão. Você vai somar os dois num valor só e receber esse valor por Pix, que também não é um trilho do Sailo: os canais existentes são cartão, WhatsApp, Telegram, Instagram, e-mail, telefone, transferência bancária e pagamento na entrega, e a saída é escrever a chave Pix no campo de instruções da transferência bancária. Solução manual, e está descrita direito em como receber por Pix vendendo online.
Onde o Sailo ajuda de fato: o endereço de entrega vem dentro do pedido, junto com item e total, em vez de estar perdido em três mensagens. Se você já teve que rolar uma conversa de dois dias pra achar o número do apartamento, sabe quanto isso vale.
Pegue os seus últimos 30 envios, ou os últimos 10 se você não tem 30, e escreva numa planilha duas colunas: destino e quanto você pagou de verdade.
Some. Compare com o que você cobrou. Se a diferença for negativa, você já sabe o que está errado, e agora sabe onde.
Depois disso, escreva a sua regra de frete em três linhas e coloque ela na página, do lado do preço, antes de qualquer pessoa perguntar. Onde ela vai é no link da bio, e a resposta rápida com essa mesma regra vale salvar no WhatsApp, como está em como cobrar pelo WhatsApp.
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