Uma janela, uma parede clara e a luz do teto apagada resolvem quase tudo. As cinco fotos que todo produto precisa e o ajuste que evita devolução.
Sailo team12 min de leitura
A foto que você tirou às 22h, na mesa da cozinha, com a luz amarela do teto ligada, é o motivo pelo qual o seu produto de R$ 89 parece um produto de R$ 30.
Não é o celular. Celular de 2019 tira foto de catálogo. É a luz, e a luz é de graça.
O ajuste inteiro tem três partes e leva vinte minutos: leve o produto pra perto de uma janela, desligue todas as lâmpadas do ambiente, e coloque uma folha de papel branco do lado oposto à janela pra devolver luz na sombra. Uma cartolina branca custa uns R$ 4 e é o único equipamento que você precisa comprar.
Esse é o passo que mais muda a foto e o que mais gente ignora.
Luz de janela é fria e azulada. Lâmpada de casa é quente e amarelada. Quando as duas batem no mesmo objeto, o celular não consegue acertar o branco: uma parte da foto fica amarela, outra fica azul, e o resultado tem aquela cara inconfundível de foto tirada em casa.
Uma fonte de luz só. Sempre. Se está escuro demais, você precisa de mais janela ou de outro horário, não de mais lâmpada.
O melhor horário é meio da manhã ou meio da tarde, com o sol não batendo direto na janela. Sol direto faz sombra dura e recorte preto. Se estiver batendo direto, pendure um lençol branco fino ou uma cortina de voil na janela e você acabou de fazer um difusor.
Dia nublado é excelente. Um dia cinzento em Curitiba é um estúdio.
Uma mesa encostada perto da janela, não colada.
O produto fica a uns 50 cm da janela. A luz entra de lado, atravessando o produto, não por trás de você. Luz de lado cria sombra, e sombra é o que faz o objeto ter volume e parecer real. Luz vindo de trás da câmera achata tudo.
Do lado oposto à janela, a uns 30 cm do produto, fica a cartolina branca em pé. Ela devolve luz pra sombra e faz ela ficar cinza clara em vez de preta. Aproxime e afaste e olhe na tela: você vai ver a sombra abrindo e fechando. Esse é o controle mais fino que você tem.
De fundo, uma parede clara, uma cartolina grande curvada pra não ter linha de canto, ou uma madeira lisa. Nada de toalha estampada. Nada de mármore falso brilhante, que reflete o teto e mostra o seu abajur na foto.
Toque na tela, em cima do produto, e segure. Aparece a trava, "AE/AF" no iPhone ou o cadeado no Android. Agora o celular parou de decidir sozinho.
Depois de travar, arraste o dedo pra cima ou pra baixo na tela pra ajustar o brilho. Escurecer um pouco quase sempre melhora: celular tende a estourar o branco, e branco estourado não volta em edição nenhuma.
Isso importa demais pra consistência. Se você tira dez fotos e o celular reajusta em cada uma, seu catálogo vira dez tons diferentes de fundo branco. Trave uma vez e tire as dez.
Duas regras curtas.
Zoom digital é recorte. Você perde resolução e ganha ruído. Chegue perto com o corpo e recorte depois, se precisar.
A lente 0,5x deforma. Ela é ótima pra ambiente e péssima pra produto: engorda o que está perto da lente e afina o que está longe. Um anel fotografado em 0,5x fica com proporção errada. Use 1x, ou a 2x se o seu celular tiver lente teleobjetiva de verdade, que é a melhor pra produto pequeno.
Modo retrato mente na borda. O desfoque artificial come um pedaço da alça da bolsa, do fio do brinco, da asa da caneca. Fica bonito no feed e cria dúvida na página de produto. Use foto normal no catálogo.
Não são cinco ângulos bonitos. São cinco perguntas respondidas.
1. A capa. Produto sozinho, fundo limpo, ocupando quase o quadro inteiro. É a foto que aparece na grade do catálogo, então ela precisa ser legível em miniatura. Olhe ela no tamanho de uma unha do polegar. Se não dá pra saber o que é, refaça.
2. A escala. Uma mão segurando, um pulso vestindo, o produto do lado de uma moeda de R$ 1. Sem isso, todo mundo pergunta o tamanho, e uma parte das devoluções é gente que imaginou maior.
3. O detalhe. O fecho, a costura, o acabamento, a textura. É a foto que justifica o preço quando o produto compete com uma versão de R$ 20 do mercado.
4. Em uso. Alguém usando, a vela acesa, a bolsa no ombro, o bolo cortado. É a que faz a pessoa se imaginar com aquilo.
5. O que chega. O que vem na caixa, a embalagem fechada, os itens do kit lado a lado. Essa reduz mensagem depois da compra e reduz frustração na abertura.
Cinco fotos, um produto de cada vez. Fotografar dez produtos de uma vez e ficar com trinta fotos medianas é pior que fotografar dois direito.
Seis produtos bem fotografados carregam uma loja por um ano. Trinta mal fotografados não carregam nem a semana.
Edite só duas coisas: exposição e sombra. Levante um pouco a exposição, abra um pouco a sombra, e pare.
O que você não deve mexer é saturação e temperatura de cor. E aqui está a coisa que ninguém escreve nesses artigos:
A foto que mais gera troca é a que está bonita demais na cor. Você aumenta a vibração porque o vinho ficou apagado na tela, ele fica lindo, a pessoa compra, recebe uma peça vinho de verdade e escreve dizendo que "chegou diferente da foto". Ela está certa. Você mudou o produto na edição.
Quem vende roupa, tinta, maquiagem, linha, esmalte ou qualquer coisa em que a cor é o produto: fotografe com luz de janela, não mexa na saturação, e escreva na descrição que a cor pode variar levemente conforme a tela. As duas primeiras fazem o trabalho, a terceira é honestidade.
Um teste rápido: coloque uma folha de papel branco A4 no canto do enquadramento na primeira foto. Se na tela do computador esse papel parecer branco, sua cor está certa. Se estiver amarelo ou azul, corrija a temperatura até ele ficar branco e aplique a mesma correção em todas as fotos daquela sessão.
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São dois trabalhos diferentes e todo mundo tenta resolver com a mesma foto.
No feed, a foto precisa fazer parar o dedo. Cena, contexto, movimento, cor, gente.
Na página de produto, a foto precisa fazer entender. Fundo limpo, produto inteiro, sem distração.
Uma foto lifestyle linda como imagem principal do catálogo é um erro comum e caro, porque a pessoa não consegue ver o que está comprando. Coloque a limpa em primeiro e a lifestyle em segundo. As curtidas continuam vindo da bonita e as vendas passam a vir da útil. A ordem em que essas imagens aparecem na página é parte do que decide a venda, e isso está em o link na bio que vende de verdade.
Priscila faz sapatinho e conjunto de crochê em Salvador. Conjunto de R$ 68, manta de R$ 145, sapatinho avulso de R$ 32.
As fotos dela eram na cama, com a colcha estampada de fundo, tiradas de noite. O crochê branco saía bege. O amarelo-manteiga saía mostarda.
Ela fez três mudanças numa tarde de sábado:
Levou tudo pra varanda, num dia nublado. Sem sol direto, sem lâmpada.
Comprou duas cartolinas brancas. Uma de fundo, curvada da mesa pra parede, uma de rebatedor. Gastou R$ 9.
Refotografou seis produtos, cinco fotos cada. Levou umas três horas com as pausas.
Nas quatro semanas seguintes, as vendas dela pela página subiram de 7 para 16 por mês, com o mesmo número de seguidores e a mesma frequência de post.
O que ela descobriu no meio e não esperava: as mensagens de "essa cor é a real?" sumiram por completo. Antes ela recebia isso quase toda semana e respondia mandando outra foto, tirada na hora, com luz melhor. Ou seja, ela já sabia tirar a foto certa. Só tirava depois que a pessoa perguntava, uma por uma, em vez de tirar uma vez e resolver pra todo mundo.
O segundo detalhe: a foto de escala virou a que ela mais usa. Sapatinho de crochê em foto isolada parece grande. Com um pé de bebê real, ou com a mão dela segurando, ninguém mais errou o tamanho, e a taxa de troca por tamanho caiu quase a zero.
Joia e qualquer coisa metálica. O problema é reflexo: a peça funciona como espelho e mostra você, o teto e a janela. A solução caseira é cercar: uma caixa de papelão forrada de papel branco por dentro, com um lado aberto pra luz da janela e um furo pra lente. Difunde tudo e mata o reflexo duro. Custa zero.
Vidro e garrafa. Aqui a luz precisa vir de trás, não de lado. Coloque a peça na frente da janela, com uma folha de papel manteiga entre a janela e o produto, e fotografe contra essa luz. O contorno do vidro aparece. Iluminado de frente, vidro vira uma mancha cinza.
Roupa. A dobra no cabide mente sobre o caimento. Se você não tem modelo, use manequim, ou fotografe deitado no chão com o tecido esticado e arrumado, de cima, com o celular no nível do peito. E dê as medidas em centímetros na descrição de qualquer jeito, porque nenhuma foto substitui isso.
O erro de rotina mais comum é fotografar quando o produto fica pronto. Uma peça hoje, duas na quinta, uma no domingo de noite. O resultado é um catálogo com dez luzes diferentes que parece um mural de anúncio classificado.
Marque uma sessão a cada duas ou três semanas, sempre no mesmo horário e no mesmo lugar. Junte tudo que ficou pronto e fotografe de uma vez. Além de sair consistente, sai mais rápido: a montagem leva vinte minutos e você paga esses vinte minutos uma vez em vez de seis.
Deixe a montagem marcada com fita no chão se puder. Marca da mesa, marca da cartolina, marca de onde você fica. Na terceira sessão você monta em três minutos.
Vale, em três casos:
Não vale se você troca de coleção a cada seis semanas, se ainda está testando o que vende, ou se ainda não fez as dez primeiras vendas. Nesse ponto o dinheiro rende mais em outra coisa, e o que decide as primeiras vendas não é a foto, está em como conseguir os primeiros pedidos.
Duas coisas práticas sobre o Sailo aqui.
As avaliações ajudam onde a foto não alcança. O Sailo tem avaliação de produto em todos os planos, incluindo o gratuito: o comprador deixa nome, nota de 1 a 5 e um texto opcional. Nada aparece na página até você aprovar, porque a avaliação entra como não aprovada e espera na página de moderação. Isso é bom contra spam e ruim se você esquecer, então olhe a moderação uma vez por semana.
E o limite honesto: o plano gratuito para em 10 produtos. Se você tem 40 itens e trata cada cor como produto separado, você não cabe, e vai precisar do Pro (US$ 19 por mês ou US$ 180 por ano, até 100 produtos) ou vai precisar agrupar variação dentro do produto. O lado bom dessa restrição é que ela força a decisão certa: vinte produtos bem fotografados vendem mais que quarenta com foto ruim, e o trabalho de fotografia é a razão prática pra você não querer quarenta.
Nenhuma ferramenta melhora uma foto. O Sailo mostra o que você subiu, do jeito que você subiu.
Escolha o produto que mais vende. Um só.
Amanhã de manhã, entre nove e onze, leve ele pra perto da janela, desligue a luz do teto, encoste uma folha branca do outro lado e tire as cinco fotos. Trave o foco antes da primeira.
Suba a foto de capa no lugar da atual e não mude mais nada por duas semanas. Se a página fizer mais pedido com tudo igual, você acabou de descobrir onde estava o seu problema, e sabe o que fazer com os outros dezenove produtos.
Antes de refazer o catálogo inteiro, vale conferir se o preço está certo, porque foto boa em preço errado só faz você vender mais rápido no prejuízo. A conta está em como precificar o que você faz, e o mapa geral de onde a foto encaixa está em como vender no Instagram sem site.
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